A Ana Cardoso é jornalista, socióloga e feminista. Nasceu em Curitiba, viveu por nove anos em Florianópolis e atualmente mora em Porto Alegre juntamente com o marido, o apresentador e escritor Marcos Piangers e as duas filhas. Trabalha com pesquisa de comportamento do consumidor e é mãe da Anita (11 anos) e Aurora (3 anos).

Ana, Anita e Aurora estão na nossa revista de verão 2017 (clique aqui para ler ela inteirinha) e fizeram um bate papo bem gostoso sobre a vida e o novo livro da Ana, o "A mamãe é Rock". Vem ver:

petite jolie

Em um dos seus textos você declarou que nunca pensava em ter filhos, ou sequer estar casada. Vislumbrava uma vida ímpar, que iria viajar pelo mundo e curtir a liberdade. Tanto que saiu da casa dos pais aos 20 anos. Qual o único conselho que você daria para a Ana aos 22 anos?

Nunca me arrependi das minhas escolhas e decisões e não acho que outro caminho seria melhor ou pior. Acho que o importante é estar consciente e feliz com as decisões de cada momento. Acho que casar e ter filhos faz parte da existência, mas que é preciso se permitir sonhar, descobrir e aceitar as consequências e surpresas da vida.

Eu indicaria para a Ana dos 22 anos que ela começasse a praticar yoga antes dos 30.

Qual o momento mais importante com as suas filhas?

Como o Marcos com frequência está viajando, podemos passar muito tempo só nós três. Gosto muito de ir à feira com elas.  Adoro passar hora conversando e contando histórias da minha infância para elas. Com frequência levo a Anita ao trabalho e para o yoga. Ela é minha grande companheira, uma verdadeira extensão de mim. Não existe uma pessoa que me conheça que não a conheça também.

Qual a principal lembrança da infância que você gostaria que as suas filhas tenham no futuro?

Das nossas conversas e caminhadas. Gostamos muito de fazer as duas coisas. Tanto o Marcos quanto eu gostamos de passar muito tempo caminhando, e temos cultivado isso na vida das duas. Outro ponto que quero que elas lembrem com carinho no futuro são as nossas viagens. Temos viajado com frequência por conta dos trabalhos e pelo fato das nossas famílias não viverem por perto. Quando estamos em um lugar novo gostamos muito de provar comidas novas e típicas, achamos que é uma das melhores formas de se conhecer o local.



Qual o principal desafio de ser mãe no ano de 2016?

Preocupo-me muito com a alimentação. Ter um modo de vida mais saudável é um desejo constante. E outro grande desafio são as telas (celular, computador, televisão...). Eles são e estão cada dia mais conectados. A Anita é capaz de editar um vídeo e fazer muitas outras coisas em minutos que nós precisaríamos de um dia inteiro para criar e produzir. Como mãe de menina, acho importante explicar o que é consentimentos e limites. E mães de meninos, acredito que a questão seja explicar o que é respeito.

O que você pode nos falar sobre o seu livro? (na época da entrevista o livro ainda não havia sido lançado)

Ele é uma versão feminina do livro do Marcos (Papai é Pop), mas com uma pegada mais realista, porque a maternidade é mais pesada para a mulher, desde a gestação. A Mamãe é Rock é um manifesto bem humorado e uma desconstrução da mãe perfeita. Falo de assuntos do dia-a-dia mas também de experiências como depressão pós-parto, que ainda são tabu. Diziam que é feio uma mãe reclamar que está cansada, por exemplo, mas isso acontece direto, é o que mais acontece. Precisamos falarmos sobre isso com bom humor.